domingo, 9 de novembro de 2008

LOUCO? POETA?


Debaixo do cabelo branco,
Tanto de louco, demência pura,
A quem não me ama, amo tanto,
Coração poeta, canto a loucura.

Desiludido vou à caça,
Por amor padeço tanto,
Por louco até acho graça,
A loucura do meu canto.

Meu coração um sacrário
Para guardar a lembrança
Oração pro meu rosário,
Meu rosário de esperança.

Destes versos de loucura
Pelos gritos fiquei rouco
Sem sentido, vida dura
Poeta? ou muito louco.

Manuel Jorge Monteiro de Lima

MÁSCARA MULTIFACETADA


A máscara, a nossa aparência,
Esconde a verdadeira expressão,
Para por outra em evidência,
Simulacro, a outra face da razão.

Por trás esta máscara oculta
A tez da fria realidade,
Mas o buril do destino exulta,
As rugas da terceira idade.

A vergonha da nossa cara
Face da máscara insolente,
Aos quatro ventos escancara
A dor que no fundo se sente,

Um fundo falso, rebate,
Pela cor rubro, representa,
Aquela cara de tomate
Que alma fere e adoenta.

A enfastiada insensatez,
De se obliterar a verdade,
Expõe a face, o doblez,
O disfarce da vontade.

Da recalcada consciência,
Aquela expressão consentida,
Dúbia máscara, dúbia existência,
o nosso palco da vida.

Manuel Jorge Monteiro de Lima

UM NADICA DE NADA...


Tento escrever, o vazio de mim,
Freima, inércia, foge de mim o alento!
A inconstância é este mar sem fim,
A confusão instalada como sentimento.

Há muito não escrevo, tudo me amua,
Fui tolhido, as musas de mim esquecidas,
Foram todas, pra face oculta da lua,
O mar do nada, vozes esmaecidas.

Mas de repente uma voz se salienta,
Num ouvido mouco, sensível ao amor,
É a Efigênia! A fada que amansa a tormenta,
E revela a carta náutica, a um cego navegador.

Entre ondas, no marasmo, espuma da vida,
Escuto a sereia, no seu canto sereno,
Acordo a vontade quase adormecida,
Parto pro amor profundo e pleno.

Tiro da minha face esta velha mascara,
Jogo-a no monturo das coisas passadas
Quero purgar o mal pela sagrada cascara,
E só lembrar das coisas belas e amadas.

Enfuno as velas, vou de peito aberto
Na popa do barco panos balançando,
Quero me alhear de qualquer deserto,
Se faltar o vento, sigo e vou remando.

E no mar aberto vou soltar ao vento
Esta percepção de um amor ousado,
Quero sentir a brisa do teu barlavento
No meu peito carente e encandeado.

Manuel Jorge Monteiro de Lima
Alphaville
Terça de carnaval de 2008

ENCONTRO MARCADO

Meu prezado e prestimoso conselheiro
Que sugestão traduzindo um bom alvitre
Definir um espaço, por um princípio ordeiro
Já aceitei, mas no assunto, não dou palpite.

Sou o apedeuta do verso, do verbo efêmero
Sou o escrevinhador barato, um engano ledo,
Quase um amargo purgativo, efeito do êmero
Sou o covarde, só aparências que geram medo.

Então! Vem o amigo Edson, que me acode
A fim de criar, um modo de arquivamento
Agrupar em série, num sistema de blog.
Alguns motes de esvaído sentimento.

Que assim se faça, e me augure a primazia
De aprender essa técnica inteligente
Dite esse prenuncio de dizer à hora, dia
E local do escritório, onde far-me-ei presente.

Para aprender com o Prof. Edson, aulas de erudição,
Porquanto estou ansioso e ávido de aprender
Imagino magna esta audiência e primeira lição
De frutos profícuos e de estórias de embeber.

Manuel Jorge

Novembro'08 anuel Jorge